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MINHAS LÁGRIMAS SEMEIAM A UTOPIA

Luego de las elecciones en Brasil, que dieron como ganador al candidato de la ultra derecha Jair Bolsonaro, compartimos un poema que muestra la desazón y tristeza que causó a gran parte de la población brasilera.

 

 

 

Minhas lágrimas semeiam a utopia
Quando chegou-me a notícia que o fascismo venceu na minha pátria famosa por sua alegria e hospitalidade meus olhos encheram de lágrimas
Mas,
Não as deixei cair. Pois só havia asfalto e concreto ao meu redor. 
Pedi a elas que esperassem até eu chegar  na terra, em um lugar onde pudessem florescer. E elas, pacientemente, esperaram.
E cheguei ao solo desejado
Ele estava duro, cheio de pedras, sem cultivo há longo tempo.
E minhas lágrimas, então, desabaram. 
As primeiras de fraqueza,
As segundas de raiva,
As terceiras de ódio,
As quartas de emoção,
As quinta de empatia,
As sextas de solidariedade, 
As sétimas de bondade,
As últimas de indignação,
Todas misturadas com amor.
Todas alimentaram o solo estéril, o alimentaram. Umas com mais profundidade, outras com menos. 
Minhas lágrimas fortes já estão cultivando o solo, criando vida na dor. Sei que elas abrirão o caminho para a germinação de Flores e cactos. E sei que teremos de ser ambos nessa travessia que Agora vamos começar a viver. E usar ambos com sabedoria e ousadia. 


28/10/18 - dia da maior derrota da democracia no Brasil. Nunca o  esqueceremos.

 

* Um dos fundadores do Observatório de Favelas, instituição que reúne moradores e ex-moradores da periferia, o geógrafo Jailson de Souza e Silva(Rio, 1959) nasceu no bairro Brás de Pina e morou na favela da Maré. Professor da Universidade Federal Fluminense, seu olhar combina a experiência acadêmica e a vivência como morador do “outro lado” da Cidade Maravilhosa.

 

 

 

 

 

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